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Gravuras e pedrais do Madeira registrados em 3D

Cinco áreas com extensos pedrais contendo gravuras rupestres, encobertos no período das chuvas pelas águas do rio Madeira e localizados onde está o reservatório da usina hidrelétrica Santo Antônio, são objeto de um trabalho inédito no Brasil: o levantamento com metodologia laserscan. Ou seja, o registro digital para reconstituição em modelos 3D dos pedrais e petroglifos.

 

Este registro permitirá que as gravuras rupestres sejam estudadas em laboratório e associadas às ocupações dos sítios arqueológicos localizados às margens do rio Madeira, possibilitando conhecer melhor a ocupação, os hábitos, e os sistemas simbólicos das populações que residiam nesta parte da Amazônia.

 

A Santo Antônio Energia realizou este trabalho em cooperação com empresa portuguesa Dryas Arqueologia e a brasileira Scientia Consultoria Científica, contratada pela concessionária para realizar as atividades dos Programas Relacionados ao Patrimônio Arqueológico, Pré-Histórico e Histórico. As equipes da Dryas e da Scientia utilizaram dois equipamentos bastante inéditos no Brasil para fazer a modelagem em 3D. Um deles, o “FARO” emite 900 mil feixes de laser por segundo em 360° com precisão de 2 milímetros. O outro equipamento é um scanner de luz estruturada, Breuckmann Smartscan HE, que “escaneia” as superfícies com precisão de 20 micros (1 micron é igual a um milésimo de milímetro).

 

Um dos diferenciais do uso destes equipamentos para o registro dos pedrais e gravuras do rio Madeira é a qualidade devido à capacidade de identificação e registro de detalhes. O nível de eficiência deste método também é elevado, com o trabalho realizado em dois meses, aspecto indispensável em um projeto como o da UHE Santo Antônio.

 

Segundo Ricardo Ferreira, coordenador de meio físico da Santo Antônio Energia “as imagens colhidas em campo, através das duas tecnologias, deverão ser sobrepostas e visíveis em computador, dando a dimensão exata de como foram gravadas pelos habitantes que nos antecederam na Amazônia”. Á exemplo de outros programas, como de monitoramento de fauna e de peixes, o material será disponibilizado para o público, especialmente para a comunidade científica para futuras pesquisas.

 

O trabalho foi feito em cinco pontos diferentes na Ilha Dionísio, Ilha do Japó, CPRM 2, Ilha das Cobras e Teotônio, No total, foram coletadas 2 mil imagens.