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Escavações revelam hábitos no Madeira

Enquanto avançam as construções do futuro Centro da Memória dos Povos Indígenas, que está sendo erguido na área do entorno da capela de Santo Antônio, também prosseguem os trabalhos arqueológicos com escavações na área adjacente à igrejinha, nas proximidades da antiga cachoeira Santo Antônio, local de construção da Usina Santo Antônio.

 

As escavações, sob a responsabilidade da Scientia Consultoria, mostram um piso de cimento, alicerces de uma parede ou muro. Próximo, foi encontrado um local que pode ser área de refugo ou descarte de material, tendo sido encontradas muitas garrafas de diversas origens e utilização, além da embalagem em vidro com inscrições que indicam ser um produto de origem francesa. A diversidade de material é muito grande, por isso há suspeitas de se tratar de uma área de descarte de material.

 

Foi achada também uma lâmina de ferro, com mais de 40 cm de comprimento, que pode ter sido um terçado ou outro instrumento de corte. Esta lâmina de metal estava enterrada em meio às diversas garrafas e fragmentos de louças e são visíveis os sinais de oxidação do metal.
 
Segundo o arqueólogo Ney Gomes, coordenador das escavações de campo, o sítio que está sendo escavado pode ter tido uma camada superficial, de aproximadamente 30 centímetros, anteriormente revolvida ou raspada, possivelmente por tratores. “Encontramos nas escavações que estamos realizando materiais de várias épocas. É possível ver, graças aos cortes na terra, as sucessivas camadas de material depositado”.
 
“Estas são as pesquisas arqueológicas mais sistemáticas feitas em um sítio histórico na região do Madeira. Nestes dois quadrados, onde foram encontradas as garrafas, louças e antigas ferramentas, encontrei mais material que em toda a área pesquisada até agora nesta região próxima à igreja”, atesta Gomes. Ele acredita que no local que está sendo pesquisado poderia ter sido habitado por pessoas de posses, já que encontrou louças decoradas, “produtos que até nos dias de hoje não têm preços baixos”.
 
O trabalho dos arqueólogos tem atraído a atenção da população que visita a capela de Santo Antônio. “As pessoas se aproximam e perguntam o que estamos fazendo e ficam curiosas pela história deste lugar. Outro dia recebemos a visita do Colégio Anísio Teixeira. Os alunos estavam muito interessados e fizeram muitas perguntas”, conta Gomes.
 
O Centro da Memória dos Povos Indígenas terá, além de uma oca estilizada, um local para exposições, lanchonete, banheiros públicos e estacionamentos para ônibus e carros de passeio. A obra faz parte das compensações socioambientais pela construção da UHE Santo Antônio, pela concessionária Santo Antônio Energia.

O pacote prevê a reativação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré no trecho de sete quilômetros entre Porto Velho e Santo Antônio, onde também será construído um prédio para a estação terminal. O complexo turístico será administrado pela Fundação Cultural Iaripuna, da Prefeitura de Porto Velho.