Evoluindo com a região
A construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio acaba de começar, mas já pode ser considerada um marco histórico para o desenvolvimento de Rondônia e do Brasil. Mais do que a realização de um gigantesco e moderno projeto de engenharia, a obra representa o início da criação de uma nova matriz energética no país, já que o complexo energético do rio Madeira é considerado a mais promissora fonte de produção da energia elétrica nas próximas décadas.
Acompanhando o ritmo acelerado das obras, o Estado de Rondônia já começa a viver uma revolução econômica e social que pode ocasionar o tão desejado desenvolvimento sustentável da região. Os avanços, especialmente na capital Porto Velho, tendem a tornar a cidade um dos mais estruturados centros urbanos da região centro-norte. Mesmo com um cenário mundial recessivo, em 2009, a estimativa de crescimento para o Estado de Rondônia é de 7%. Nos três últimos anos, antes do início das obras da UHE Santo Antônio, e num período de crescimento econômico global, a elevação do PIB do Estado não ultrapassava a casa de 4,5%.
Além disso, o PAC, Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal, prevê investimento total de R$ 645 milhões para obras de infraestrutura básica e urbanização no município. Este investimento é essencial para que a cidade esteja preparada para o progresso vindouro tanto da implantação do Complexo do Madeira quanto de outras indústrias - que começam a se instalar na região, também atraídas pelas oportunidades geradas pela construção das usinas.
Qualificação, emprego e renda
Antes mesmo da concessão da licença de instalação de Santo Antônio, a Construtora Norberto Odebrecht, empresas líder do consórcio responsável pela obra, já trabalhava em iniciativas de qualificação profissional para a população porto-velhense. Com investimento de R$ 12 milhões, a empresa mantém desde abril de 2008 o Programa ACREDITAR, uma parceria com os governos estadual e municipal, o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e a Universidade de Rondônia (Unir), que oferece qualificação técnica e profissional para a população local, por meio de cursos preparatórios nas áreas de operação de máquinas, mecânica, elétrica e construção civil.
Com o início das obras, em setembro de 2008, a UHESanto Antônio disponibilizou cerca de três mil postos de trabalho diretos, sendo 90% desses, ocupados pela comunidade local. E a previsão é que até 2011 esse número ultrapasse mais de 10 mil empregos diretos. Apenas com os empregos gerados pelas obras, Porto Velho terá uma massa salarial anual de aproximadamente R$ 1 bilhão. Com a economia em expansão, por meio do alto efeito multiplicador, a massa salarial deve alcançar os R$ 4 bilhões.
A arrecadação prevista para o município de Porto Velho com o recolhimento do ISS (Imposto Sobre Serviço) do Consórcio Construtor Santo Antônio será na ordem de R$ 224 milhões, uma média de R$ 37,3 milhões ao ano pelos próximos seis anos, prazo para conclusão da obra. O valor médio equivale a 10% a mais no total da receita prevista no orçamento municipal para 2009. Já com o pagamento de royalties pela geração de energia, o município terá uma receita de R$ 77 milhões ao ano. Esses recursos serão aplicados exclusivamente em obras de infraestrutura e terão início assim que a primeira turbina de Santo Antônio entrar em operação.
Uma cidade em construção
O segmento da construção civil busca formas de atender a demanda de novos moradores que se instalam em Porto Velho em consequência da obra. Em março de 2009 já eram 108 os empreendimentos imobiliários em andamento na capital de Rondônia, o que leva à estimativa de três mil novas moradias nos próximos dois anos.
O número de fábricas que decidiram se instalar no Estado também aumentou. A Indústria Metalúrgica e Mecânica da Amazônia (Imma), por exemplo, foi a primeira usina de base a se fixar na região norte e fabricará os equipamentos hidromecânicos (comportas) e levantamento (pontes-rolantes) para a UHE Santo Antônio. A fabricante é uma joint venture entre o grupo francês Alstom, líder mundial em infraestrutura de energia e transporte, com a Bardella, tradicional empresa nacional de bens de capital.
Makro, Carrefour e Votorantim Cimentos são outras empresas que estão chegando a Porto Velho. Esta última fornecerá 700 mil toneladas de cimento para a obra da UHE Santo Antônio e disponibilizará aproximadamente 250 novos empregos na região.
Indiretamente, a UHE Santo Antônio poderá alavancar também a atividade extrativista de Rondônia. O Estado possui uma das maiores jazidas de cassiterita do mundo e é responsável por um quarto de toda a extração nacional do minério, que é a principal fonte para produção de estanho. A cassiterita de Rondônia é vendida para siderúrgicas e metalúrgicas de São Paulo e Minas Gerais. A maior oferta de energia elétrica propiciada por Santo Antônio trará novo impulso à produção de estanho por essas indústrias, que estão entre as maiores consumidoras de eletricidade.
A destinação de recursos do PAC para obras de saneamento em Porto Velho alcança R$ 112 milhões e dentro de três anos colocará o município como a primeira capital do país a universalizar o fornecimento de água tratada e acesso a rede de esgoto para 100% da população. Informações do Ministério das Cidades apontam a construção de uma nova rede de distribuição de água de 454 quilômetros.
Hidrovia do Madeira
Uma das grandes vantagens de Rondônia é a sua posição geográfica. O estado está estrategicamente posicionado como um portal de entrada para a região amazônica, num modal de transporte rodoviário/fluvial que permite o escoamento de produtos de um mercado denominado Mercoeste, que engloba, além de Rondônia, os setores produtivos dos estados do Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e o Distrito Federal. O Estado também possui ampla fronteira com a Bolívia.
A implantação das usinas hidrelétricas do Complexo do Madeira traz de volta o antigo sonho de integração logística entre Brasil, Peru e Bolívia, por meio da expansão da Hidrovia do Madeira, que atualmente liga Porto Velho à cidade de Porto de Itacoatiara (AM). A construção de eclusas nas usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau elevariam o trecho de navegação dos atuais 1.056 km a 4.225 km à montante de Porto Velho, conectando os rios Madeira, Mamoré e Guaporé (Brasil), Beni (Bolívia) e Madre de Dios (Peru).
Interligadas ao sistema rodoviário desses países, os produtos brasileiros teriam, enfim, acesso direto ao Oceano Pacífico, abrindo uma rota de exportação para o mercado asiático muito mais econômica. A obra já é considerada pelo governo brasileiro como uma etapa complementar a implantação da usina hidrelétrica Santo Antônio.

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